Trump indica novo embaixador no Brasil e sinaliza nova fase na relação com Brasília
Após mais de um ano sem embaixador confirmado no país, Casa Branca escolhe o presidente da Câmara da Flórida, republicano de Miami, cubano-americano e aliado do núcleo político de Marco Rubio
MIAMI, 1° de junho — Donald Trump deu nesta segunda-feira, 1º de junho de 2026, um passo concreto para reorganizar a representação diplomática dos Estados Unidos no Brasil. A Casa Branca enviou ao Senado americano a nomeação de Daniel Perez, atual presidente da Câmara dos Representantes da Flórida, para o cargo de embaixador extraordinário e plenipotenciário dos Estados Unidos junto à República Federativa do Brasil.
A indicação ainda precisa ser aprovada pelo Senado antes que Perez possa assumir oficialmente o posto em Brasília. Até lá, a embaixada americana continuará sob comando de um encarregado de negócios, função hoje exercida por Gabriel Escobar, que assumiu a missão em janeiro de 2025, logo após a mudança de governo em Washington.
O detalhe central da nomeação não está apenas no preenchimento de uma vaga diplomática. Está no perfil do escolhido.
Daniel Perez não é um diplomata de carreira. É um político republicano da Flórida, advogado, conservador, cubano-americano de primeira geração e uma das principais lideranças legislativas de Miami. Aos 38 anos, ele preside a Câmara dos Representantes da Flórida, um dos estados mais importantes para o Partido Republicano e, hoje, um dos centros de gravidade da política externa trumpista para a América Latina.
A escolha, portanto, não parece burocrática. Trump não está simplesmente enviando a Brasília um técnico do Departamento de Estado. Está indicando um homem político, formado no ambiente republicano de Miami, ligado à comunidade cubano-americana e naturalmente próximo do círculo que vê a América Latina não como uma região periférica, mas como um teatro estratégico de segurança, comércio, narcotráfico, influência chinesa, tecnologia, energia e disputa ideológica.
Perez representa o distrito 116 da Flórida, na região de Miami-Dade, área fortemente marcada pela presença de exilados cubanos, venezuelanos, nicaraguenses e latino-americanos que viveram de perto os efeitos políticos de regimes autoritários no continente. Essa biografia importa. Em Washington, especialmente sob Trump e Marco Rubio, a política para a América Latina deixou de ser tratada apenas como diplomacia protocolar e passou a ser vista também como uma questão de segurança nacional.
O Brasil entra nesse tabuleiro em um momento delicado.




