Trump promete eliminar PCC e CV após EUA classificarem facções como terroristas
Porta-voz do Departamento de Estado afirma que governo americano utilizará “todas as ferramentas disponíveis” para combater organizações criminosas que atuam na região
WASHINGTON, 1º de junho de 2026 — O governo dos Estados Unidos voltou a endurecer o discurso contra o crime organizado transnacional. Em entrevista nesta segunda-feira (1º), a porta-voz do Departamento de Estado americano, Amanda Roberson, afirmou que o presidente Donald Trump está determinado a utilizar todos os instrumentos disponíveis para combater e desmantelar organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Segundo Roberson, o enfrentamento às facções brasileiras faz parte de uma estratégia mais ampla de segurança nacional adotada pela atual administração.
“O presidente Trump deixou muito claro desde o início do mandato que utilizará todas as ferramentas à disposição dos Estados Unidos para combater esses grupos criminosos que atuam na nossa região e proteger a segurança dos americanos”, declarou.
A porta-voz foi além e afirmou que o objetivo do governo é eliminar a capacidade operacional dessas organizações.
As declarações acontecem poucos dias após Washington anunciar a classificação do PCC e do Comando Vermelho como “Terroristas Globais Especialmente Designados”, medida que entrará oficialmente em vigor em 5 de junho.
Na prática, a decisão amplia significativamente o alcance das sanções americanas e permite que autoridades dos Estados Unidos adotem mecanismos mais agressivos para rastrear recursos financeiros, bloquear ativos, ampliar investigações e fortalecer a cooperação internacional contra integrantes e colaboradores das facções.
Ao justificar a medida, o secretário de Estado Marco Rubio destacou o histórico de violência das organizações criminosas brasileiras.
Em comunicado oficial, Rubio afirmou que PCC e CV estão entre as organizações criminosas mais violentas da América Latina e são responsáveis por ataques contra policiais, agentes públicos e civis, além de possuírem forte atuação em atividades ligadas ao narcotráfico internacional.
A decisão representa uma mudança importante na forma como os Estados Unidos enxergam as facções brasileiras. Tradicionalmente tratadas como organizações criminosas voltadas ao tráfico de drogas, elas passam agora a ser enquadradas em uma categoria normalmente reservada a grupos considerados ameaças à segurança internacional.
O anúncio também intensificou o debate dentro do Brasil.
Enquanto setores da oposição comemoraram a iniciativa como um reconhecimento da gravidade do problema enfrentado pelo país, integrantes do governo e parte da classe política manifestaram preocupação com possíveis impactos diplomáticos e jurídicos da medida.
Especialistas observam que a nova classificação pode aumentar a pressão internacional sobre estruturas financeiras, empresas e indivíduos que mantenham relações com integrantes das facções, além de facilitar ações coordenadas entre agências de segurança de diferentes países.
Independentemente das divergências políticas, a mensagem enviada pela Casa Branca foi clara: o governo Trump pretende elevar o nível de enfrentamento contra organizações criminosas que atuam além das fronteiras nacionais.
Com a entrada em vigor da medida nos próximos dias, PCC e Comando Vermelho passam a integrar oficialmente a lista de grupos considerados prioritários para as ações de segurança e inteligência dos Estados Unidos.



