Tudo parecia aleatório. Até seguir o dinheiro.
Sete páginas quase desconhecidas movimentaram mais de R$ 1 milhão para atacar Flávio Bolsonaro e Tarcísio enquanto promoviam Lula e Haddad.
Manaus - Amazonas, 29 de junho de 2026 | Por Rogerio Pires | Revista Timeline (003)
Enquanto o brasileiro médio recalcula o orçamento doméstico todo mês, uma estrutura digital bem organizada opera no Facebook gastando mais de um milhão de reais para atacar Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. Não são páginas conhecidas, nem perfis com anos de história. São sete criações recentes, todas de maio, com menos de 400 seguidores cada uma. Cascas digitais feitas para circular dinheiro e distribuir ataques políticos com cara de conteúdo espontâneo.
Parece exagero. Não é.
Como a coisa funciona
As páginas não têm relevância orgânica nenhuma. Sem audiência construída, sem identidade editorial, sem trajetória. Existem para uma coisa só: impulsionar conteúdo pago com aparência de debate popular.
Uma delas, o Radar do Planalto, já gastou quase 374 mil reais sozinha. Para ter dimensão do que isso representa, esse valor supera o orçamento de comunicação de boa parte dos municípios brasileiros no ano inteiro.
A tática usada é simples: as publicações trazem legendas completamente neutras, tipo “a discussão aumentou, compartilhe sua opinião”, para passar pelos filtros automáticos da Meta sem chamar atenção. Depois que o post circula, o conteúdo pesado de ataque já foi entregue para quem a plataforma decidiu alcançar com aquele dinheiro.
Entra pela porta dos fundos, faz o estrago e sai limpo.
Mesmo dinheiro, dois serviços
O que complica ainda mais a situação é o que apareceu no rastreamento seguinte: algumas dessas mesmas páginas também impulsionam conteúdo positivo para Lula e Haddad.
Ataque à oposição de um lado, defesa do governo do outro. Tudo na mesma conta, coordenado pelo mesmo núcleo, com o mesmo investimento.
Não dá para chamar isso de militância política. Militância é gratuita, é convicção, é tempo doado. O que está descrito aqui é uma operação paga, segmentada e estratégica, com divisão clara de funções. É uma agência de guerra informacional operando dentro do ecossistema das redes.
O campo que passou anos apontando o dedo para o chamado “gabinete do ódio” parece ter construído algo funcionalmente parecido, só que com orçamento mais robusto e estrutura mais discreta.
O que o dinheiro revela
Tem uma leitura política nessa história que vale registrar.
Quando alguém precisa gastar mais de um milhão de reais em páginas anônimas para atacar adversários políticos, isso diz alguma coisa sobre o estado desse alguém. Não é postura de quem está confiante. É postura de quem está preocupado com o que as pesquisas mostram, com o crescimento de Tarcísio nas intenções de voto e com a resiliência política de Flávio Bolsonaro mesmo sob pressão judicial.
Dinheiro grande, perfis escondidos e linguagem disfarçada não combinam com quem está ganhando o debate de frente.
O rastro ainda está aberto
O episódio levanta perguntas que precisam de resposta. Quem está financiando essas páginas? Há alguma conexão com recursos públicos, direta ou indiretamente? Quem coordena a operação na ponta? Os mecanismos de transparência da Meta conseguem acompanhar esse nível de sofisticação?
O ponto de partida da investigação foi a Biblioteca de Anúncios do Facebook, ferramenta pública acessível por qualquer pessoa. A partir dos dados disponíveis ali, jornalistas e pesquisadores começaram a mapear o padrão de gastos e identificar as conexões entre as páginas.
Agora faça um exercício simples: imagine essa mesma operação, com esse mesmo volume de dinheiro, essas mesmas páginas fantasmas e essa mesma coordenação, só que do lado oposto. Imagine que fosse bolsonarista. O inquérito das fake news já teria sido acionado. Alexandre de Moraes já teria sido provocado. A grande imprensa já estaria com manchete na capa por dias. Parlamentares de esquerda já estariam no plenário pedindo CPI, cassação e tudo mais que viesse à cabeça. Seria tratado como ameaça à democracia, como ataque ao Estado de Direito, como caso de polícia.
Mas é do outro lado. Então o silêncio é ensurdecedor.
Essa assimetria diz mais sobre o estado das nossas instituições do que qualquer discurso sobre igualdade republicana. Quem montou essa máquina apostou que ninguém ia prestar atenção, ou que, se alguém prestasse, não haveria consequência nenhuma. Pode ser que esteja certo quanto à segunda parte. Mas quanto à primeira, errou o cálculo.
Rogerio Pires é professor, pesquisador e gestor público com atuação na área de educação tecnológica e políticas de inovação no Estado do Rio de Janeiro.



Qualquer pessoa com mais de 2 neurônios sabe que o descondenado não tem público ou capacidade para se reeleger numa eleição sem fraudes. Está aí para comprovar o recente fiasco dele em Santa Catarina. Não há desculpas que justifiquem o fato de ninguém ter aparecido. Mesmo com a máquina estatal trabalhando a todo vapor para reelege-lo, os fatos falam por si.
Nove Dedos acabou. E ele sabe disso. Por essa razão estão tão desesperados.