RIO DE JANEIRO, 31 de agosto de 2026 — Quatro e meia da manhã na Tijuca. O caminhão entra na rua ainda no escuro, e um homem salta da traseira antes mesmo de ele parar. Levanta um saco de trinta quilos, joga na caçamba, corre atrás do veículo, repete. Faz isso centenas de vezes por turno. Quando você abre a janela e vê a calçada limpa, ele já está a três quarteirões dali.
Esse homem tem nome, tem crachá, tem filho matriculado na escola. E no sábado ele ouviu do presidente da República que o trabalho dele é “uma coisa pobre de quem não pode estudar”.
A frase foi dita em Belo Horizonte, no ato nacional Mulheres com Lula, na Serraria Souza Pinto. Assisti ao vídeo mais de uma vez porque não queria acreditar que fosse corte editado. Não era. As palavras estão lá, na sequência, sem tesoura: “Eu, quando eu passo na rua e eu vejo aquelas pessoas que trabalham colhendo lixo, é uma profissão muito pobre, porque não é uma profissão que dá orgulho [falar que é] ‘Eu sou lixeiro’. O cara tem orgulho de falar, ‘eu sou engenheiro’, ‘eu sou médico’. Mas lixeiro é uma coisa pobre de quem não pode estudar.”
Depois ele tentou emendar. Disse que o pobre é tratado como invisível, que ninguém enxerga o gari até a semana em que o lixo não é recolhido. É verdade. Só que quem tinha acabado de chamar a profissão de coisa pobre era ele.
O detalhe que torna tudo pior
Ninguém na política brasileira transformou a própria escolaridade em credencial como Lula transformou. A biografia inteira é essa: o retirante que não passou do primário, que fez curso no Senai, que virou torneiro mecânico e perdeu um dedo na prensa antes dos vinte anos. Foi assim que ele se vendeu ao país por quatro décadas. O homem que não precisou de diploma para chegar ao Planalto.
E é justamente esse homem que agora divide o Brasil em duas prateleiras. Em cima, engenheiro e médico. Embaixo, quem coleta lixo, porque “não pôde estudar”.
Não foi o povo que ele defendeu. Foi o povo que ele classificou.
Aqui no Rio de Janeiro, gari entra por concurso
Vale explicar para quem fala do alto do palanque. O quadro permanente de garis da Comlurb tem ingresso por concurso público. Não é bico, não é favor, não é o que sobra para quem não teve escola. É emprego público, com edital, com classificação, com exame médico, com jornada de 44 horas e remuneração que hoje passa dos quatro mil reais somando as verbas fixas e variáveis. Tem gente que estuda meses para conseguir aquela vaga.
E aqui no Rio o gari não é invisível coisa nenhuma. Ele desfila na Sapucaí. Renato Sorriso virou símbolo do Carnaval carioca vestido de laranja, com a vassoura na mão, aplaudido por uma avenida inteira. A cidade sabe quem limpa as suas ruas. Quem parece não saber é quem governa o país.
Uma frase escapa. Uma coleção, não
Se fosse a primeira vez, eu chamaria de infelicidade e seguiria em frente. Todo mundo erra no improviso. O problema é o histórico.
Em 2016, nos grampos da Lava Jato, ele perguntou ao ex-ministro Paulo Vannucchi onde estavam “as mulheres de grelo duro” do partido dele.
Em julho de 2024, no Planalto, comentando uma pesquisa que mostra aumento da violência doméstica em dias de jogo, soltou: “Se o cara é corintiano, tudo bem, como eu.”
Em julho de 2023, em Cabo Verde, na primeira parada dele em solo africano no terceiro mandato, disse ter “profunda gratidão ao continente africano por tudo o que foi produzido durante 350 anos de escravidão no nosso país”.
Uma frase isolada é lapso. Quatro frases na mesma direção é opinião.
O que sobra disso
Um homem que acorda às três da manhã para que a sua cidade não vire um esgoto a céu aberto não precisa de um presidente lhe explicando que a vida dele é o resultado de não ter conseguido estudar. Ele precisa de escola pública decente para o filho dele, de salário digno e de respeito.
Gari merece respeito. Mulher merece respeito. Negro merece respeito. Pobre merece respeito.
O sujeito que se apresenta como pai dos pobres há quarenta anos deveria ser o último brasileiro a precisar ouvir isso. Foi o primeiro a esquecer.
Rogerio Pires é professor, pesquisador, mestre, doutor H.C. em educação e gestor público com atuação na área de educação tecnológica e políticas de inovação no Estado do Rio de Janeiro.




Adoro quando esse velho fraudado nojento comunista tira a máscara 🎭 em público e mostra a verdadeira face podre hipocrita elitista vermelha dele❗️😹🔥👺 nessas horas ele mostra todo o NOJO que ele sempre teve de POBRE❗️😪